Viajam

Viajar é trocar a roupa da alma

Viajar é trocar a roupa da alma.

Viajar faz parte da educação dos nossos pequenos. É conhecendo novas culturas que percebemos que existem outros pontos de vista para os mesmos problemas e que em algumas culturas nossos problemas, na verdade, nem estariam nessa categoria. É um enorme passo para nos entendermos como apenas uma parte dessa grande engrenagem que é a vida. Ela não gira em torno de nosso umbigo, nos tornando experts em conduta e moral. A vida é muito maior do que isso. São tantos certos e errados soltos por aí que seria muita pretensão se achar o dono da única verdade, né? Tudo depende do ponto de vista e da cultura de cada sociedade. Acredito que só mesmo nos entregando de corpo e alma a essas experiências para expandir nosso horizonte. E viajar faz isso com a gente. Mexe com nossos mais sólidos pilares de sustentação e nos mostra como eles podem ser flexíveis e ainda assim nos manter firmes de pé.

Tenho escutado algumas experiências de viagens ao longo dos anos. Quando a gente gosta de um assunto acaba virando ímã de relatos sobre o tema. Adoro. Alguns realmente me impressionam e estimulam. Outros me fazem crer que estão apenas desperdiçando tempo e dinheiro, posto que reproduzem o modo de agir daqui em outro lugar. Por exemplo, tem gente que acha que viajar com crianças é sinônimo de Disney. E enquanto na Disney ficam felizes de encontrar um delicioso restaurante brasileiro e voltar para casa com a bagagem duplicada pela compras nos famosos outlets. Para esses, preciso dizer que tem um mundo lá fora sinônimo de criança. Tem lugares incríveis esperando nossos pequenos e prontos para surpreendê-los. Muitos estão mais perto do que se pode imaginar. E aí entra uma outra categoria de relatos: aqueles de pessoas que nem precisam sair do Rio para transformar o fim de semana num evento inesquecível. Esses sim são únicos. Dá a maior vontade de ouvir tudinho, anotar detalhes e acrescentar o destino na nossa listinha de família.

Tenho uma amiga que está num processo de conhecer o mundo. Sempre curtiu viajar, mas agora colocou mochila nas costas, marido a tira colo e o pé na estrada. Anda de bicicleta, usa transporte público, conversa na rua, experimenta ares e sabores, aprende, ensina, troca, vive. Eu já sei a resposta, mas se não soubesse apostaria que ela tem uma cabeça mais livre de preconceitos do que a daquela família que não sai da Disney, que ela consegue enxergar mais de uma verdade para tudo, que vê muito menos problemas que soluções, que é livremente feliz. A última vez que soube dela estava na Grécia, mas já tinha passado pela Albânia, Montenegro, Croácia… E pedalado por Cuba.

Viajar é se arriscar. É experimentar o diferente. É fugir do comum. Como já abordamos no post Viajantes ou Turistas, viajar não é só fazer turismo. Não se limita aos pontos turísticos do lugar escolhido. É muito mais! É deixar os ouvidos permeáveis à língua, a pupila dilatada ao novo, o coração aberto às emoções. Viajar não se resume a comprar roupa de marca com desconto. Longe disso. É coisa muito mais profunda. Não está na superfície onde fica uma camiseta nova. “Viajar é trocar a roupa da alma”, como diria Mário Quintana. Te muda por dentro. Te faz melhor.

A cada nova aventura a gente se reestrutura, repensa, organiza prioridades e valores. Se livra de um monte de não podes, percebe que SER é muito mais legal do que TER e que você e suas vontades não passam de mais uma gotinha do oceano.  A cada novo destino a gente coloca uma pecinha nova nesse enorme e infinito quebra-cabeça que é a vida. E vamo que vamo que lugar é o que não falta e vontade tá sobrando pra dar e vender!

Boa viagem!

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Comentários

  1. Márcia Cea
    30 de junho de 2015 at 10:26 — Responder

    Olá Karin, você descreveu muito bem está relação viagem x alma. Viajar, realmente, é ter este contato com outras pessoas, culturas, culinária e energia, esta troca é o mais importante e enriquece nossa ALMA.
    !!! Um beijo, Marcia

    • 30 de junho de 2015 at 10:38 — Responder

      E como enriquece, né? Abre os horizontes, nos faz ver que o que achamos errado pode ser certo e bom. Mas também acho que não são todos que fazem bom uso das viagens. Tem gente que vai fechada e volta trancada, que só acha vantagem o desconto na roupa de marca ou no aparelho eletrônico. Uma pena… Um beijo pra você Márcia!

  2. Rafaela Lima
    30 de junho de 2015 at 12:06 — Responder

    Ah, Karin Scarpa! Outro texto que me encanta. Vou me dar o direito de comparar seus textos aos de um compositor musical que, sempre com as mesmas notas, compõe músicas diferentes e fascinantes. Você consegue vestir as palavras com uma roupagem diferente a cada texto resultando em uma composição belíssima a cada vez, e que me toca a alma profundamente. Incrível! Fico sempre na expectativa do próximo conto. Parabéns!

    • 30 de junho de 2015 at 18:46 — Responder

      Oi Rafaela, é sempre um prazer te ter por aqui. Me deixa muito feliz essa sua expectativa do novo texto e lisonjeada com os elogios e comparações. Obrigada! Um beijo grande!

  3. 30 de junho de 2015 at 12:10 — Responder

    Adorei o texto! O mundo e sua diversidade são encantadores, quase um vício 😉 Poder mostrar esta diversidade a nossos filhos é o maior presente que damos a eles. Parabéns pelo blog! Simone

    • 30 de junho de 2015 at 18:47 — Responder

      Concordo, Simone!Fazer com que eles vivam, literalmente, essa diversidade que você colocou é algo que não tem preço. Obrigada pela visita e seja muito bem vinda!Bj

  4. Ana Scarpa
    30 de junho de 2015 at 17:23 — Responder

    Acho que virei um ímã de viagem também! Espero a proxima!✈️

    • 30 de junho de 2015 at 18:44 — Responder

      Minha pequena e apaixonante criança de apartamento, que delícia te ver por aqui! A próxima viagem está chegando! Oba! Vamos? Te amo. Bj, mamãe.

  5. Nídia Blanco Villela
    1 de julho de 2015 at 12:28 — Responder

    Minha querida netinha! Gostei demais do que você escreveu, pois mostra que você entendeu o texto e fez uma analogia, ao trazer o texto para você, usando a palavra ímã. Vovó toda orgulhosa. Beijo, garotinha.

  6. 1 de julho de 2015 at 14:59 — Responder

    ….Como sempre lindo texto…. belas palavras…. Todas as nações ,e , dentro delas povos, ….com suas diferenças e peculariedades ..mas isso é o que eu acho mais interessante …viva o ” arco-íris” ….
    Bjs

    • 1 de julho de 2015 at 18:07 — Responder

      Experimentar essas diferenças é realmente enriquecedor Pilar! Beijo!

  7. 6 de julho de 2015 at 08:23 — Responder

    Adorável e verdadeiro texto !
    Umas das melhores terapias é viajar ” sem lenço e sem documento !”

  8. Auxiliadora Fernandes
    17 de julho de 2015 at 14:23 — Responder

    Depois dessa leitura quero mais e melhores viagens. Se bem que eu sempre briguei com minhas companhias de viagens para usar os meios de transportes à disposição dos moradores em vez do “vamos alugar um carro”. Um beijo da Auxiliadora

    • 3 de agosto de 2015 at 07:31 — Responder

      Usar o transporte público é sempre o melhor caminho para quem quer se misturar com os moradores da cidade, né Auxiliadora? Nós amamos! Um beijo!

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