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Vão à exposições lotadas

Vão à exposições lotadas.

No primeiro domingo de junho e último da exposiçāo, fomos ver de perto as obras super realistas do Australiano Ron Mueck. Super realistas no sentido da aparência, pois no tamanho, não poderiam ser mais distantes da realidade. Um casal de idosos enooorme, um minúsculo rapaz ferido, um dodô que me daria medo de encontrar por aí de tão grande…

Essa exposição estava acontecendo desde o mês de março no MAM, mas como todo bom carioca, deixamos para o último dia, para o último suspiro. Não posso dizer que nossas crianças de apartamento amaram o evento. A fila gigantesca já desanimou, mas enquanto nós aguardávamos enfileirados, eles pulavam de pedra em pedra no jardim externo do museu.

Depois que liberaram a entrada, acho que foi pior. Multidões empunhadas de smartphones e tablets impediam a contemplação das obras, fazendo com que mesmo aquelas desproporcionalmente grandes desaparecesse em meio a tantos LCDs.

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Às vezes tenho a sensação de que depois do advento da câmera digital, tudo ficou mais descartável, mais volátil. Até a experiência parece peça de museu. As pessoas trocam o experimentar, o viver o momento, pela garantia de salvá-lo para sempre e experimentá-lo depois. A pergunta que não quer calar é: isso realmente acontecerá? Essas fotos serão contempladas um dia? Ou serão acumuladas em um canto do computador ou numa pasta esquecida do celular?

Eram 9 obras. Foram 9 batalhas travadas para que eles conseguissem olhar para a criação de Ron Mueck. A visitação tornou-se exaustiva, o prazer foi subtraído, a vontade de ver tudo pela internet aflorou quase sufocante. A Internet. Ela te leva a todo lugar, te conta todos os segredos, te faz viajar sem sair do conforto do seu lar, da segurança do seu computador. Um avanço tecnológico. Uma poderosa ferramenta capaz de deixar Rio e Austrália, a pátria do nosso artista em questão, quase vizinhos. Essa ferramenta diminuiu as distâncias, expôs preconceitos, quebrou barreiras. Muitas vantagens para a humanidade, mas para todos esses benefícios ela trouxe um enorme transtorno. A solidão. As pessoas IMG_9878caminham para trocar a vida concreta e real por várias histórias blogadas dela. A internet pode acabar com o prazer da descoberta, da conquista, da experiência. Ela pode, se você deixar.

Eu amo a internet. Não é à toa que estou aqui agora, mas imponho limites a esse mundo de possibilidades infinitas. Ainda tenho forças para ir a exposições lotadas, para conversar com a família imediatamente atrás de nós na fila, para juntar dinheiro e viajar de verdade, explorar outras culturas, outros destinos, sentir outros cheiros, provar outros sabores. Ainda tenho forças para desbravar o mundo e levar essas crianças comigo, mesmo que munidos de iPads, porque ninguém é de ferro.

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Comentários

  1. 30 de outubro de 2014 at 00:37 — Responder

    É mas,para fazer este estar presente,é preciso ter vontade!
    Eu também gosto da internet,mas gosto muito de sair de casa,conversar com gente.Gosto do calor humano!
    Muito boa esta vontade!Parabéns pelo texto

    • 17 de novembro de 2014 at 19:52 — Responder

      Sair de casa faz o voltar para casa ficar ainda mais gostoso, né Lúcia Céa?

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