Cabeça de Mãe

Uma questão de escolha.

Uma questão de escolha.

Meus pequenos estão crescendo, é verdade. Contudo, acho que sempre serão meus pequenos. Por mais que eu tenha que olhar para cima quando falo com o Pedro. Vejo pela minha mãe que ainda me chama de “garotinha” e quer me colocar no colo o tempo todo.

Pais são estranhos mesmo. Mães nem se fala. Se por um lado a gente prepara os filhos para o mundo, por outro a gente quer adiar essa entrega indefinidamente. Inconscientemente. Instintivamente. Uma vez me disseram que era coisa de barriga. Que carregamos 9 meses e nunca mais queremos largar. Mas acho que extrapola a barriga. Acho que é coisa de coração. De alma, sei lá. Acho que o pequeno não precisa nascer da gente para que a gente sinta que é nosso, pra sempre.

Para quem acredita em outras vidas pode ser mais simples de entender. Eu acho que a gente escolhe com quem vai ficar. Imagino aquela coisa bem infantil mesmo. De um lugar pré-Terra onde a gente fica ponderando várias possibilidades, escolhendo com quem vai querer morar, na Terra. Gosto de pensar que fui eu que escolhi meus pais. Que fui eu que defini meu destino. Que fui eu que acertei na escolha! Mas se foi realmente uma questão de escolha, mas de modo inverso, também ficaria feliz de ter sido eu a escolhida.

Meus filhos dizem que se eu escolhi meus pais, eles escolheram a mim. Tem lógica, mas quem disse que cabeça de mãe é lóAmor de filhogica? Não conto para eles (e espero que eles não leiam esse post!), mas acho que fui eu que os escolhi também! Tá, vai… Pode dizer que eu quero escolher tudo e que sou controladora e gulosa. Ok. Talvez eu seja, mas quando a gente tem os melhores, como não querer ser responsável por eles? E
u sei, eu sei. Se você aí que está lendo também é mãe, vai dizer que os melhores são os seus! E eu nem vou discutir, porque faz sentido. A gente sempre busca o que é melhor pra gente, mas nem sempre o que é bom para mim vai ser bom para você. Por isso teremos muitos melhores filhos do mundo por aqui! E viva a pluralidade!

O fato é que, escolhendo ou sendo escolhida, felicidade é o resultado. E tem coisas que o tempo pode passar por mil anos que a gente nunca vai esquecer. Como o primeiro eu te amo espontâneo que ouvimos
daquela boquinha miúda ou aquele olhar apaixonado fixo na gente, ou quando eles começam a ir a festas sozinhos e trazem um brigadeiro amassado e meio sujo no meio das lem
brancinhas, só pra você. Não dá pra esquecer também as risadas soltas de tudo o que você fala, das mãos dadas nos passeios pelo bairro, do sono fácil quando deitam no seu colo, do olhar magoado te procurando por socorro, dos bilhetinhos na porta da geladeira ou no espelho do banheiro, dos desenhos Amor de filhaque só você é capaz de entender, das apresentações musicais desafinadas que você ac
ha dignas de orquestra sinfônica, do som inigualável que o “mamãe” tem naqueles lábios. Esses momentos que muitas vezes são sem palavras, ficam tatuados na gente. Pra sempre. E, se você cuidar direitinho do seu melhor presente do mundo, vai precisar de um HD imenso nessa cabeça de mãe porque bons momentos não vão parar de acontecer e precisam ser guardados e muito bem cuidados, afinal são eles o nosso combustível diário.
Sem eles nos tornamos meras mortais. E vamos combinar que mãe pode ser qualquer coisa menos uma mera mortal, né não?

 

 

 

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Comentários

  1. Liana
    3 de junho de 2016 at 15:15 — Responder

    Muito lindo, amada. Adorei. Parabéns.

  2. Nidia Blanco Villela
    7 de junho de 2016 at 12:11 — Responder

    Minha linda garotinha, mais um belíssimo texto!
    Gostoso saber que te faz feliz a ideia de você nos ter escolhido, mas não tenha tanta certeza assim. Lembra quando ainda pequenininha eu te falava dos meus acordos com o Grande Artífice? Pois é… Quem garante que não foi o contrário? E Ele, tão generoso. nos manda muito mais do que pensei pra nós, nos envia os melhores, nossos feitos mais perfeitos, dos quais você foi a primeira.
    E você descreve muito bem essa relação mãe e filho. Relação que não acaba nunca e que só nos faz feliz. E se ficamos um dia sequer sem ouvir a voz dos filhotes, bate uma saudade enorme, doída.
    Parabéns pelo texto! Parabéns pra você, garotinha, por ser o que é, iluminada, correta, dedicada, exemplo de filha, de mãe, de mulher!
    Te amo!

    • 22 de junho de 2016 at 08:24 — Responder

      Olha mãe, ainda acho que quem escolheu fui eu! rsrsrsrs. Amo vocês! Demais!

  3. Ivan Barsand
    25 de junho de 2016 at 15:55 — Responder

    Parabéns. Sinto mais segurança a cada texto que escreve. Agradável de se ler.

    • 28 de junho de 2016 at 08:15 — Responder

      Obrigada, Ivan! Fico muito feliz com o retorno! Apareça sempre. Bjs

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