Também...

Também enfrentam incêndio.

Também enfrentam incêndio.

Então, que loucura! Essa é a principal razão das férias que tirei aqui do Blog. Já faz um tempo que aconteceu. Bem no meio das olimpíadas. Todo mundo em casa de férias. Trânsito mais complicado no Rio por conta dos eventos e eis que um incêndio num apartamento três andares abaixo do nosso nos deixa completamente acampados na própria casa por meses. Foi surreal.

Nunca tínhamos vivido experiência parecida. Como estávamos de férias, tínhamos aproveitado um almocinho na rua. Quando voltamos pra casa senti cheiro de fumaça. Pedro não conseguiu entrar no quarto dele, pois já estava todo tomado por aquela coisa branca que nos intoxicava. Ana interfonou para a portaria avisando do incêndio. Descemos na mesma hora. Só deu tempo de pegar os HDs que ficam juntos e era a única coisa que não queria perder. Roupa a gente compra, móveis idem. A casa a gente reforma. Mas as nossas memórias…

Bom, descemos os três juntos (Rafa estava no trabalho) de escada. Meu celular não completava ligação. Deixei as crianças num local seguro, em frente ao nosso prédio, e corri para a cabine da PM da esquina para tentar ligar de lá para os bombeiros. O sargento que estava de serviço fez a chamada e o inacreditável aconteceu: tive que provar para o atendente do outro lado da linha, que eu falava sério, que não se tratava de uma brincadeira. Vim a saber depois que o Corpo de Bombeiros recebe diariamente um número absurdamente elevado de trotes e para evitar deslocamentos desnecessários eles fazem uma série de questionamentos, tentando comprovar a veracidade do chamado. Lamentável esse tipo de brincadeira com um serviço tão importante. Bom, bombeiros a caminho, corri para fechar a rua, impedindo que carros atrapalhassem o serviço. Com o porteiro garantimos que o gás havia sido fechado. De toda a coluna. O prédio foi evacuado e nós ficamos assistindo de camarote as labaredas chegando faceiras à nossa janela. O som dos vidros explodindo é horroroso, o cheiro da fumaça é intoxicante, mas o pior de tudo é assistir impotente o fogo invadindo a sua casa. Ana chorava horrores. Pedro tentava consolá-la.

Por sorte os bombeiros chegaram a tempo de controlar o fogo dentro do apartamento de origem, mas os estragos atravessaram andares. Nossa casa ficou imunda e só não ficou pior porque antes de descermos lembramos de fechar todas as janelas e a fumaça só entrou pela janela que estourou. O quarto do Pedro foi o mais afetado. Foi lá que a janela não resistiu e permitiu a entrada da fumaça. Tivemos que isolá-lo, pois mesmo depois de limpo o cheiro era insuportavelmente forte e contaminava toda a casa. Ficamos acampados na casa de meus pais por uma semana, o tempo de tirarmos aquela borra escura dos azulejos e lavarmos todas as roupas. TODAS! Tivemos que limpar dentro de TODOS os armários. Tudo era cinza por dentro. Desde toalhas até talheres, passando por cada peça de roupa nossa. Depois foi esperar o seguro pagar os estragos. Esperamos 3 meses. Três meses dos dois dormindo juntos novamente. Eu vou falar baixinho, para eles não ouvirem, mas dessa parte eu amei. Amei que o incêndio nos proporcionou essa volta no tempo de quando eles eram minúsculos e dividiam quarto, travesseiros e sonhos. Aproveitei para estender por mais tempo os beijos de boa noite. Só não teve leituras na hora de dormir, mas teve muito chamego e agarramento.

Depois da indenização paga, foi outro mutirão para colocar a casa de volta nos trilhos. Como aqui é lugar onde a gente faz de tudo um pouco, só contratamos os serviços das esquadrias de alumínio que teriam que ser trocadas. O resto ficou por nossa conta. Até vovô entrou na dança. Aliás, ele adora essas “obrinhas” que invento. E eu aproveitei para dar uma repaginada na casa. Mudei cor de parede, renovei quadros, alterei o fluxo da vida por aqui. Ganhei uma casa mais linda do que nunca e uma dor no ombro delicinha.

Agora eu já posso voltar a aparecer mais por aqui. Que alívio, pois a saudade estava enorme.

PS: Devo acrescentar que ficou tudo tão lindo que resolvemos inclusive aumentar a família. Ah, mas essa é outra história! rsrsrsrsrs

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Kubo

Comentários

  1. 3 de abril de 2017 at 11:31 — Responder

    Puxa, amiga! Que susto, hein?!? Mais uma boa história para contar… Que bom que todos estão bem e mais juntinhos ainda. Beijocas saudosas!

    • 4 de abril de 2017 at 06:33 — Responder

      Puxa, nem fala. Foi um baita susto mesmo. Saudade de vcs! <3

  2. Dora Martini
    3 de abril de 2017 at 14:42 — Responder

    Karin, querida, que história terrível mas, graças a Deus, com um final superfeliz (estou esperando a outra notícia que virá em seguida)!!!
    O engraçado é que achei que você havia encerrado o blog pois, na semana passada pensei muito, mas muito mesmo em vocês! do nada, estava me lembrando de toda a família!!!
    Fico feliz por vocês e pela coragem de encarar a vida como uma caixinha de surpresas…sempre boas!
    Conserve isso para o resto da sua vida, pois é fantástico!
    Boa sorte um beijo enorme. Dora

    • 4 de abril de 2017 at 06:35 — Responder

      Ai Dora que bom ouvir de você! Fiquei tanto tempo fora que cogitei parar, mas gosto tanto desse espaço que não consegui. Vamos seguindo, abrindo essa caixinha de surpresas, como vc disse, aos pouquinhos e com coração sempre aberto. Estamos com saudades! Vamos organizar uma visita em breve! Muitos beijos!

  3. Marcia Cea
    3 de abril de 2017 at 15:15 — Responder

    Meu Deus, Karin!! Que susto mas graças a Deus está tudo bem com vocês!! Quero saber como foi a chegada do mais novo ou nova de quatro patinhas na família…beijão tudo de bom, querida!! Marcia Cea.

    • 4 de abril de 2017 at 06:38 — Responder

      Eba! Foi linda! Já já conto em detalhes! Você vai gostar dela também. Chegou para agitar as coisas por aqui. rsrsrs. Beijo grande!

  4. Nídia Blanco Villela
    3 de abril de 2017 at 18:48 — Responder

    Uau! Que sufoco o que vocês passaram! E sabe o que me deixa “bolada”? Como alguém pode pensar em passar trote para o Corpo de Bombeiros, sabendo que fogo se alastra muito rapidamente? Não consigo entender. Vi o apartamento de vocês. Acompanhei de perto a “reconstrução”. Não foi fácil mas, como sempre, vocês dão um jeitinho pra tudo se acertar, pra ficar tudo bem. Isso é o mais importante. Isso é que conta. Parabéns! Muitos beijos.

    • 4 de abril de 2017 at 06:39 — Responder

      Pois é mãe, muito chato isso mesmo, mas ficar na vovó foi divertido, né? As crianças amaram as noites emboladas no edredom e os filmes até mais tarde! Amamos vcs!

  5. Liana Montero Valdez Placenti
    4 de abril de 2017 at 12:26 — Responder

    Que bom que depois da tempestade vem a bonança. Que susto! O importante é que vocês ficaram bem. E ganharam um apartamento novo, mais bonito, com certeza. Deus é Pai. Como sempre, amei sua crônica. Eu fico dentro da história. Adoro. Amo vocês. Beijos saudosos.
    Liana

    • 5 de abril de 2017 at 07:02 — Responder

      Ufa Liana, tudo nos devidos lugares agora. Saudades de vc tb e muito feliz por vc curtir o blog. Beijo enorme!

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