Copacabana

Ressaca em Copa

Ressaca em Copa.

7:35 da manhã. Os termômetros acusavam 22o.C na orla. O sol, no entanto, afirmava mais. Copa estava desperta, mas ainda com cheiro de cama. A praia, povoada por atletas de todas as idades, exalava maresia e tranquilidade, só quebrada pelo motor dos carros que insistem em arruinar qualquer clima. Enquanto motorista eu sei da importância da Avenida Atlântica para o fluxo do trânsito na cidade, mas enquanto pedestre eu sempre desejo que ela esteja fechada. Os motoristas, na maioria das vezes atrasados ou estressados, atravessam essa via em alta velocidade não aproveitando o visual, que é incrível, e ainda colocando em risco a vida daqueles que caminham no calçadão. Qualquer deslize e uma tragédia acontece.Ciclovia_Copa A ciclovia, por sua vez, é um perigo a parte. Um perigo em si mesma. Corre lado a lado com a ferocidade dos carros da Atlântica, é utilizada por alguns ciclistas  que se entendem num velódromo, por pedestres indisciplinados que caminham como baratas tontas e ainda por transportes alternativos, que tenho dúvidas se poderiam circular por ali. Por exemplo, as bicicletas motorizadas. O que vem a ser isso? Em que categoria se encontram? Não seriam mobiletes ou mini motos? E os carrinhos de bombeiro? Andam no meio das duas pistas e raramente em baixa velocidade. Sem falar naqueles entregadores de água que parecem psicopatas ao pedal. Definitivamente um lugar de risco. Coloquem o capacete para atravessá-la!

Essa manhã, contudo, até a ciclovia estava pacífica, de vagar, tranquila. Havia chovido na noite anterior e muitas poças pontilhavam o calçadão fazendo um espelho azul do céu. Serpenteei por entre elas e escolhi um banco para curtir a calmaria. Fechei os olhos e consegui reduzir o som dos carros e amplificar o das ondas estourando à minha frente. Sorri em silêncio. Em paz. Me deixei ficar até o sol buzinar 45oC na minha pele, contrariando o termômetro que ainda marcava 22. Praia de CopaJá me encaminhava para voltar para casa quando resolvi seguir em outra direção. Fui desejar um bom dia para as ondas ali perto. Atravessei aquele deserto de areia (não sei pra que tanta areia em frente ao Copacabana Palace!) e assisti uma mini ressaca. Os salva vidas espetavam a bandeira de perigo ao lado de uma senhora que meditava em seu tapete de ioga. As ondas se divertiam à nossa frente. Branquinhas e espumantes se atiravam para a areia como se estivessem adorando aquela bagunça. Faziam ruídos altos intercalados com aqueles chiados que nos ninam e entorpecem. Atiçavam um cachorro meio sonolento, chamando-o para a brincadeira. Provocavam os banhistas que caminhavam tentando não molhar os pés, obrigando-os a andar num zigue-zague acelerado. Elas estavam definitivamente em casa.

Deixei a praia com o majestoso e nostálgico Copacabana Palace ainda despertando. Apenas uma janela se abria completamente para o sol e o mar a frente. Os 40 graus disfarçados em 22 convidavam para um dia lindo na princesinha do mar.

Bom dia, Copacabana. Agora vamos trabalhar.

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Comentários

  1. Liana
    9 de abril de 2015 at 15:18 — Responder

    A praia de Copacabana é linda mesmo. Com todos os problemas ao redor é inesquecível.
    Adoro seus textos, pois vivo com você o momento. Bjs

    • 9 de abril de 2015 at 22:11 — Responder

      Que bacana Liana! Fiquei muito feliz agora! Obrigada! Bjs

  2. Rafaela Lima
    9 de abril de 2015 at 20:53 — Responder

    Seus textos, que exalam poesia, me encantam. A vida que você dá às ondas do mar é simplesmente fascinante! Parabéns!

  3. Ana Luiza Macedo
    10 de abril de 2015 at 11:41 — Responder

    Adorei a nova cara! Ficou lindo, parabéns. Pelo menos alguém botou em prática o que aprendemos no curso rsrsrs. Ótimo texto, bjs

    • 10 de abril de 2015 at 12:24 — Responder

      Que bom que gostou, Ana Luiza! Estou tentando, mas não foi tão fácil quanto pareceu no curso. Aida estou cheia de dúvidas! rsrsrsrs. Bom te ver por aqui! Quero ver o seu no ar, hein! Bjs

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