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Um dia em Petrópolis

Um dia em Petrópolis.

Sábado de sol no Rio. Nada de praia dessa vez. Resolvemos subir a serra e tomar café por lá. Um bate e volta em Petrópolis pode ser delicioso, com suas torradas então…

Madrugamos e com o vento ainda fresco do alto da serra, entramos na Casa do Alemão, antes de entrar em Petrópolis. As torradas estavam divinas, o pão com linguiça também, só a desorganização do espaço é que incomoda os mais certinhos.

Café com torradas de Petrópolis. Hummm...
Café com torradas de Petrópolis. Hummm…

É que eles não tem nenhuma ordem para se conseguir uma mesa. Não há fila de espera, senha, nada. Apenas o bom senso e educação, que não andam lá essas coisas por aqui ultimamente. Então não foi muito relaxante sentar para o desjejum, pois além da espera tínhamos que ficar de olhos abertos para nenhum “esperto” passar a nossa frente. Chato isso. Mas, felizmente nenhum “espertinho” se meteu conosco. Já o casal seguinte não teve a mesma sorte. Uma outra família foi mais rápida e de um pulo pegou a mesa que deveria ser deles. Isso também me incomoda. Rafa teve que implorar para eu relaxar, pois mesmo não sendo conosco, atitudes como essa amargam qualquer café pra mim.

Petrópolis é uma cidade encantadora, fica pertinho do Rio e tem uma série de passeios interessantes que cabem bem num fim de semana.

O Museu Imperial pode ser um bom começo. Ele tem um acervo bacana do período que fomos governados por um imperador, lembrancinhas charmosas, um jardim bem agradável, uma coleção de viaturas pra gente entender como se locomoviam naquela época e de quebra você ainda se diverte com as pantufas. Sem falar do espetáculo noturno. Esse acontece de quinta à sábado sempre às 20h. Uma viagem no tempo. As crianças adoraram a magia e o clima mal iluminado do jardim.

Uma volta de carruagem, como diria a Ana, também é bem divertida. Elas ficam em frente ao Museu e você pode encontrá-las pelo cheiro. Rsrsrsrs. Rafa debocha de mim pois eu amo esse cheirinho de fazenda. Parece um imã para mim. Nossas crianças de apartamento já não ligam muito para esse passeio, mas quando eram menores a gente se divertia com as carinhas sorridentes, olhinhos arregalados e gargalhadas felizes com os solavancos da charrete.

A Catedral também dá uma boa visita. Ali encontram-se os restos mortais do imperador D. Pedro II, de sua esposa a imperatriz D. Teresa Cristina, de sua filha Princesa Isabel e seu genro o Conde D’Eu. A torre de seu edifício neo gótico dá para ser vista de vários pontos da cidade. O Palácio de Cristal é outra boa pedida. Tem visitas guiadas, mas funciona bem sem elas. Todo em ferro e vidro, teve sua estrutura produzida na França nos moldes dos Palácios de Londres e do Porto. Foi inaugurado em 1884 para abrigar exposições de produtos hortícolas e pássaros. Nele foram libertados os últimos escravos de Petrópolis, já abrigou o acervo do Museu Imperial e hoje é espaço para exposições.

Ana e o Relógio!
Ana e o Relógio!

A Casa de Santos Dumont não poderia ficar em rua de melhor nome. Rua do Encanto,22! Não é à toa que é conhecida como “A encantada”. Um charme. Uma casa cheia de escadas, muitas delas em forma de raquete onde só se pode começar com o pé direito. Pequenina, graciosa e cheia de coisinhas bacanas que prendem a atenção dos pequenos. Pedro amou a escada e Ana o chuveiro. Tem um centro cultural anexo onde passam vídeos sobre o inventor. Muito bacana. Sem falar no fato dela ficar bem em frente ao belíssimo relógio de flores.

Para os papais ainda tem visita a cervejarias. Já fomos na Bohemia. Demorou um pouco na fila de espera, pois só podem entrar um número certo de pessoas por vez, mas valeu a pena. Visitamos todos os andares, conhecemos 8 mil anos de história dessa bebida que nos encanta, brincamos com os painéis touch screens, degustamos e até almoçamos no charmoso restaurante do terraço. Só não dessa vez. Fizemos tudo isso nas várias vezes que visitamos a cidade de Pedro. Não dessa vez.

Esperando o almoço chegar!
Esperando o almoço chegar!

Dessa vez, depois do café no Alemão, demos uma volta pela rua Teresa, onde encontramos alguns itens de vestuário que nossas crianças de apartamento estavam precisando e seguindo a recomendação de um grande amigo e apaixonado pela cidade, fomos comer massa no Luigi. Fellipe nos recomendou vários lugares bacanas. O desejo dos pequenos falou mais alto, então: que venha o macarrão! Eu experimentei um creme de abóbora com calabresa que me dá água na boca só de lembrar. Depois passeamos na praça, vimos as horas no relógio de flores e fomos conhecer a Casa de Stefan Zweig.

Essa casa foi habitada pelo escritor austríaco e sua esposa durante os 5 meses que moraram no Brasil. Ali ele terminou sua autobriografia, escreveu o conto “Uma partida de Xadrez” e junto com sua mulher, cometeu o suicídio numa madrugada triste de fevereiro de 1942. As crianças tinham assistido o filme que se baseou na obra de Zweig e foi um dos ganhadores do Oscar deste ano. O Grande Hotel Budapeste serviu de impulso para apresentarmos a vida e obra deste austríaco ilustre que escolheu o Brasil para última morada. A casa possui poucos pertences pessoais do escritor, mas tem vídeos ótimos sobre a época em que ele viveu aqui no Brasil e abriga exposições temporárias bem interessantes. A que vimos baseava-se no caderninho de telefone de Zweig. Pedro encontrou alguns endereços de Copacabana e achou graça da pouca quantidade de dígitos nos números de telefone da época. Na varanda tem várias mesinhas de xadrez fazendo referência ao conto escrito na casa e no pátio um tabuleiro gigante onde Pedro e Ana disputaram animada partida.

A casa recebe visitantes de todo o mundo e tem uma equipe que dá vontade de se hospedar por ali. Assim que chegamos fomos muito bem recebidos pelo seu Paulo que é marido da dona Lêda, uma simpática e sorridente senhora que nos serviu água e bom humor. Depois chegou o Sávio, um rapaz tão inteligente quanto educado, que nos contou a história da casa e de seu hóspede mais ilustre. Por fim conheci Dora, a coordenadora do projeto, uma senhora elegante, de cultura afiada, humor fino e conversa deliciosa. Programa perfeito para um fim de tarde na serra.

Dali ainda tentamos visitar a casa do colono alemão, mas já estava fechada. Ficará pra a próxima. Que não demorará a acontecer.

Até mais, Cidade Imperial!
Até mais, Cidade Imperial!

ALGUNS MOMENTOS NA CIDADE DE D. PEDRO

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Comentários

  1. Liana
    14 de abril de 2015 at 15:37 — Responder

    Muito legal. Uma lição de história encantadora. Belo passeio. Amei. Bjs

  2. Rafaela Lima
    14 de abril de 2015 at 17:35 — Responder

    Quando for a Petrópolis já tenho roteiro. Maravilhoso! Emocionada fiquei com a história do casal Zweig. Muito triste. Gosto muito dos seus contos e suas crianças de apartamento são um encanto. Parabéns!

    • 15 de abril de 2015 at 13:23 — Responder

      Que bom Rafaela. Sei que vai gostar. A casa é uma delícia. Uma visita que vale a pena.

  3. Marcia Cea
    14 de abril de 2015 at 18:25 — Responder

    Nossa!!! seu texto me lembrou meus tempos de criança…viagem ao passado com pais, avós e tios. Petrópolis cidade rica em monumentos históricos, belo passeio…que bom reviver!!! Beijo Marcia Cea

    • 15 de abril de 2015 at 13:24 — Responder

      Puxa Márcia, que bacana. Fico feliz de produzir esse efeito de reviver um passado feliz. Adorei saber. Bjs

  4. Gisele Reis
    15 de abril de 2015 at 13:48 — Responder

    muito legal mesmo!!! fiz isso com a mari ha 2 anos acho! quero repetir!!! bjsssssssssss

    • 15 de abril de 2015 at 14:11 — Responder

      É realmente uma delícia, Gi. Acrescento uma outra opção para café da manhã: Pavelka. Uma amiga me informou que funciona melhor que a Casa do Alemão. Já anotei. Vou experimentar na próxima subida da serra. Bjs

  5. livia lira
    15 de abril de 2015 at 14:43 — Responder

    Que passeio gostoso. Vou propor pro leo assim que der para sair com o bebê. Bjs e saudades de vocês

    • 15 de abril de 2015 at 22:35 — Responder

      Livia! Que bom te ver por aqui! Também estamos com saudades. Preciso conhecer seu pequeno! Muitos beijos!

  6. Alberto Saraiva Sampaio
    15 de abril de 2015 at 16:16 — Responder

    Tenho lido seus textos e a saudade de vocês tem me apertado… Há quanto tempo não nos vemos! Mande um beijo para o Rafa e para os filhotes. Deixo uma sugestão de aventura: subida ao Pico das Prateleiras, em Itatiaia. Aventura sensacional. Fiquem com Deus.

    • 15 de abril de 2015 at 22:36 — Responder

      Alberto! Que surpresa! Muito legal te ver por aqui! Também estamos com saudades! E já anotei a dica! Oba! Bjs em todos!

  7. 15 de abril de 2015 at 18:11 — Responder

    ….também adorei….. aliás….. Petrópolis…. está há muito tempo na minha lista de lugares para conhecer…junto com Itália, Grecia, Paris…ahahahhaha ….. Acho que Petrópolis,,,virá primeiro

    • 15 de abril de 2015 at 22:37 — Responder

      Pilar você vai amar Petrópolis. É uma delícia. Adorei a lista de novos destinos! Maravilha! Bjs

  8. Luiz Villela
    16 de abril de 2015 at 10:23 — Responder

    Ká querida Karin,

    Adorei o texto. Agora, “quase” não preciso ir mais a Petrópolis penso que já conheço tudo da Cidade Imperial através de seus olhos.
    Beijos bem grandes a todos

    • 16 de abril de 2015 at 07:35 — Responder

      Tio Luiz! Que lindo! Amei você por aqui! Muitos beijos!!!

  9. Tatiane Coutinho
    16 de abril de 2015 at 21:29 — Responder

    Karin, Petrópolis é mesmo um lugar encantador e ouvir o Rafael contando sobre o dia de vocês lá me deixou com tanta vontade de retornar, que não pensei duas vezes qual seria o destino do sábado passado.
    Adorei a dica da lojinha de cerveja (na verdade, meu namorado).

    Bjs

    • 17 de abril de 2015 at 07:28 — Responder

      Ah foi uma delícia mesmo, Tati. Aquele lugar é muito gostoso e logo ali, né? Eu vi que vcs gostaram da dica da lojinha de cerveja porque adoramos a lembrança! Vamos experimentar no fim de semana! Hummm. Muito obrigada pelo carinho! Bjs

  10. Eduardo Cale
    17 de abril de 2015 at 18:46 — Responder

    Tomei conhecimento da sua página, Karin Scarpa, no site da Casa Stefan Zweig. Entrei e curti com vocês o sábado em Petrópolis, um dos meus lugares favoritos. Já me cadastrei. Vi que há muitos outros contos. Aos poucos vou quero ler todos. A forma de você escrever é tão natural e envolvente que quando percebemos já terminamos. Parabéns!

    • 18 de abril de 2015 at 06:50 — Responder

      Eduardo, também amamos Petrópolis. Uma cidadezinha deliciosa, não? Puxa, fiquei tão feliz com o seu comentário… É que às vezes me empolgo e acabo escrevendo muito mais do que penso que deveria. Rsrsrsrs. Bacana saber que a leitura flui bem. Obrigada, viu? Sinta-se em casa. Adoramos companhia! Grande abraço!

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