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Falam sobre sexo

Falam sobre sexo.

Pedro estava com 7 anos e Ana ia fazer 5. Andávamos pelo bairro em mais um de nossos passeios exploratórios. Já estávamos no caminho de volta. Sempre de mãos dadas. Eu no meio dos dois. De repente, aliás essas perguntas sempre surgem do nada, Pedro olha para mim e diz:

“Mamãe, o que é transar?”

Essa era a luz amarela do sinal. A vermelha estava por vir…

Ana, sempre atenta, desde bebê, levanta os olhos em minha direção e estica as orelhas para não deixar passar nada. Achei que seria tranquilo falar de sexo com meus filhos, só não imaginei que seria com um casalzinho de 7 e 4 anos, bem no meio da rua…

“Ah, filho, é um tipo de namoro. Um namoro mais forte.”

Jura? Foi isso o melhor que eu consegui fazer? Um namoro um pouco mais forte??? O que seria isso, pelo amor de Deus? Bom, passou. Foi. Acabou.

Acabou nada! Na verdade, estava só começando…

Pedro olha novamente em minha direção. Ai Deus, suei.

“E você já transou, mamãe?”

Luz vermelha! Luz vermelha!

Que nada! Amarela ainda…

“Já, Pepê” respondi com a maior tranquilidade. Ou melhor, com a maior tranquilidade que eu podia demonstrar.

Então, eis que enfim acende a luz vermelha…

“E é bom?”

Ana, ainda muda, mas com olhos e ouvidos em potência máxima aguardava minha resposta que para uma mãe tranquila e moderna parecia demorar uma eternidade para sair…

“É, filho. É sim.”

Três perguntas respondidas com louvor e podíamos parar por aí, mas então a luz verde pisca para Ana, doida para entrar na conversa. Aquele toco de 4 anos dispara:

“Eu também já transei, mamãe!”

Hein?!

“Não, Aninha. Não transou não.”

“Jááááá sim, mamãe” enfatizava ela em seu tom cantado.

“Nããããão transou não, Aninha.”

“Mamãe, já fiz isso sim! Faço isso todo dia!”

Oi? Muitas luzes vermelhas agora saltitavam diante de meus olhos!

E ela empolgada…

“Todo dia eu abraço e beijo o Pedro bem forte!”

Ahhh….Luz suave, lilás, para acalmar a mãe moderna quase histérica.

Bom, já mais calma e com uma enorme vontade de rir, me vi na obrigação de explicar que abraçar e beijar o Pedro bem forte não era sinônimo de transar. E é lógico, correr e encontrar um ponto de distração, que neste caso foi um caminhão de mudança caindo aos pedaços que me serviu de salvador da pátria.

“Caraca! Olha, olha!!! Que caminhão é aquele? Tem gente se mudando para cá! De onde vocês acham que vieram? Vamos brincar de adivinhar? Vamos? Quem começa?”

“Eeeeeu!” Gritaram num coro lindo que virou música para meus ouvidos e paz para meu descontrolado coração.

E assim terminou nossa primeira conversa sobre sexo.

 

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Comentários

  1. Nídia Blanco Villela
    17 de setembro de 2014 at 22:24 — Responder

    Ri muito só de imaginar a Ana antenada na conversa e dando seus palpites. Divertidíssimo! Sensacional! E providencial o caminhão de mudança. Essas crianças têm história! Beijo, filha.

    • 18 de setembro de 2014 at 10:09 — Responder

      Nem me fale. Providencial mesmo! Salvou a pátria e a mãe deles! Ufa! rsrsrsrs

  2. 17 de setembro de 2014 at 23:16 — Responder

    Que transa boa,esta entre vocês.Vocês se amam,se combinam.Gostam de estar juntos,de se apertarem,de ler,de fotografar,de se presentear,Gostam de ouvir música,gostam dos Beatles. Quer transa melhor?Isto é um encontro da almas.Que Deus os proteja!

    • 18 de setembro de 2014 at 10:12 — Responder

      Ai dindinha, que delícia! Obrigada! E que Deus NOS proteja!

  3. Ana Scarpa
    23 de fevereiro de 2015 at 21:45 — Responder

    Lembro do dia em que você me contou essa história, riamos muito e quando eu lembrava ria sozinha!

    • 23 de fevereiro de 2015 at 21:50 — Responder

      Você é uma figura Ana Scarpa! Te amo!

  4. 29 de setembro de 2015 at 09:16 — Responder

    Meus netinhos lindos,pequenos,que saudades!

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