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Ajudam cachorrinhos indefesos

Ajudam cachorrinhos indefesos.

Nunca tiveram bicho de estimação. Nem peixinho dourado, nem tartaruga ninja. Adorariam ter um cachorro, mas moramos em apartamento e ficamos fora de casa o dia inteiro. Decidimos que não seria bom para o bichinho. A decisão não levou embora a vontade. Aquela velha história da razão e emoção. Por enquanto a razão está ganhando, mas a emoção tem potencial. E muito.

Estava olhando o FB outro dia e vi uma postagem de uma ex-aluna. Ela havia resgatado dois cãezinhos que sofriam abusos e haviam sido abandonados em estado lastimável. Ela, sozinha, os resgatou. Um foi internado. A outra foi para a casa dela. Meu coração doeu pelos cãezinhos, mas se alegrou pela atitude da menina. Guerreira.

Contei a história e mostrei as fotos para minhas crianças de apartamento que imediatamente abraçaram a causa. Vimos o que ela precisava e fomos correr atrás. Foram comigo pegar jornais velhos na casa de outra ex-aluna pau pra toda obra. Divulgaram o caso na escola e arrecadaram dinheiro

com os colegas para ajudar nos gastos com a internação. Muitos amigos ajudaram. Levaram tudo para casa em diversos saquinhos e envelopes coloridos. Sentaram à mesa de jantar e somaram tudo, anotando o nome dos amigos que tinham contribuído. Me entregaram a

Nicolle dando uma força nas doações
Recebendo Doações

lista pronta para fazer o depósito.

É impressionante como as crianças respondem rápido ao que solicitamos, ao que ensinamos. Estão sempre dispostas a arregaçar as mangas e partir para a ação. Só precisam ser estimulados. Se emocionam, se irritam, tomam as dores do oprimido. Conquistam, convencem, amam. Viram heróis. E nós ficamos assistindo aos grandes feitos desses pequenos cidadãos. Somos vencidos por completo. Arrebatados pela grandiosidade dos gestos e pela generosidade incógnita desses doadores espontâneos. Eles nos derrotam sempre. E por isso vencemos. Nos vemos refletidos ali naqueles corações puros que amam apaixonadamente, odeiam por fração de segundo e voltam a amar livremente. Fico me perguntando em que momento entre a infância a vida adulta isso acaba. Quando trocamos a espontaneidade e pureza pela racionalidade e sensatez? Quando deixamos a razão ocupar o lar da emoção? Quando começamos a nos olhar diferentes no espelho e controlar nossos sorrisos? Quando passamos a cultivar obstáculos e a semear dúvida? Não tenho essas respostas e para falar a verdade nem creio que elas sejam realmente necessárias. Se tivermos crianças por perto, de apartamento ou não, e nos permitirmos ouvi-las, podemos enxergar a vida através de uma outra lente, uma lente que desaprendemos a usar. Podemos resgatar a capacidade de nos surpreender de verdade, de rir livremente, de amar sem fronteiras qualquer que sejam elas. Crianças amam sem perguntar porquê. Amam sem reparar na cor dos olhos, na marca da roupa, no tipo de reza, na textura dos cabelos. E se usarmos tais lentes ficaremos surpresos com o zoom que damos a certos problemas e os tornamos muito maiores do que realmente são. E nos chocaremos com o tempo que perdemos dizendo “nãos” sem “porquês” e sem razão.

Talvez seja pomposo, digno de uma mente adulta olhar com seriedade e preocupação para a realidade. Talvez nos sintamos mais importantes, mais altivos. Talvez. Só talvez. A minha teoria segue outro rumo. Um rumo incerto daqueles que apostam sem ter razão, daqueles que acham sem ter certeza, que vivem sem manual de instrução. Acredito, ou melhor, acho, só acho, que esses códigos adultos são t10690024_749087318479435_565568638450755280_não infantis quanto pular amarelinha. Que nós adultos, precisamos deles para nos sentirmos mais seguros da mesma forma que uma criança precisa de um bichinho de pelúcia para pegar no sono. Nos vestimos com o melhor da seriedade para atuar num palco onde os espectadores atentos são menores de idade e nos copiam a cada ato. Achamos que essa roupa nos livra dos erros e garante um futuro mais seguro para eles. Mas quando o show acaba, quando as cortinas se fecham e todos os jurados vestidos com o mesmo traje maduro deixam o recinto, nos esquecendo sozinhos com os tais espectadores mirins e por um breve momento nos permitimos deixar de atuar, aí sim atingimos a felicidade plena. Aquela que não tem hora para ir embora e que nos faz rir de nós mesmos. Aquela felicidade que nunca deveríamos ter vergonha de tirar do baú. Aquela que deveria ser a matéria prima de nossas roupas. E a única digna destes heróis sem idade.Porque ser feliz não é pecado, é obrigação.

Ah, e se suas crianças de apartamento ou não, menores de idade ou não, quiserem ajudar os cachorrinhos da minha ex-aluna guerreira, é só visitar a página Todo Tipo de Ajuda Será Bem Vinda no FB e ser feliz.

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Comentários

  1. 17 de novembro de 2014 at 17:24 — Responder

    E,tem pessoas que não¨querem perder tempo com crianças¨
    Quanta aprendizagem desperdiçam:pureza,carinho,espontaneidade…mas,têm um preço a pagar.Eles são muito inteligentes,precisam ser conquistados,levados a querer fazer e,isto não é para todos,é para os sensíveis,para os poetas, como você.Minha Escritora Predileta.Eu sei que tenho muito bom gosto.

    • 17 de novembro de 2014 at 19:53 — Responder

      Lúcia Céa, você é suspeita para falar. rsrsrsrs

  2. Sonia Pereira
    18 de novembro de 2014 at 00:29 — Responder

    Diga para suas crianças de apartamento que fiz uma doação para o PATINHAS CARENTES.
    Não estou fazendo propaganda da ajuda não .
    É só para eles saberem q o trabalho deles gerou resultado.
    Um abraço,
    Sonia

    • 20 de novembro de 2014 at 10:55 — Responder

      Que bacana, Sônia! Contei para eles e ficaram super felizes! Você fez a diferença não só para eles, mas para o Patinhas Carentes também. Obrigada pelo carinho e pela força. Beijos!

  3. 18 de novembro de 2014 at 18:38 — Responder

    Tenho me sensibilizado , não só com os temas abordados, mas também da forma que são tratados:em alguns viajei com suas crianças de apartamento , em outros tirei lições de responsabilidade e solidariedade .

    • 20 de novembro de 2014 at 11:03 — Responder

      Puxa Lourdinha que legal te ver por aqui e gostando de nos acompanhar. Fico muito feliz e emocionada com suas palavras. Seja muito bem vinda para viajar conosco sempre! Beijos!

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