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Acreditam em Papai Noel

Acreditam em Papai Noel.

E chegou o Natal novamente. É incrível como o tempo passa rápido… Há dois minutos atrás eles estavam eufóricos na varanda dos avós esperando a rena trazer o papai Noel, agora já se vestem com a roupa do bom velhinho para brincar com o pai que sempre usou a tal fantasia e fez das noites natalinas um momento mágico para todos nós.

O primeiro Natal que o papai Rafa virou Noel foi inesquecível. Pedro tinha 2 anos e Ana alguns dias. Ele queria o Buzz Light Year e ela queria mamar. Conseguimos providenciar os dois. A meia-noite, horário tradicional do bom velhinho visitar todas as residências, foi cuidadosamente antecipada para 21:30, já que os protagonistas do espetáculo estariam destruídos no fuso oficial. Trenó na varanda? Corremos todos para ver. Pedro eufórico era arrastado de mão em mão. Ele procurava em todos os cantos do céu rastros de rena, trenó, roupa vermelha ou barba branca. Alguém gritou que o viu na janela da cozinha. Correria na outra direção. Pedro assustado e ansioso se agarrou à minha mão. Ana sonhava com trenós e renas na tranquilidade do quarto da vovó.

Antes do corre corre ter início, papai Rafael foi devidamente arrumado na área dos fundos. Nunca soube dizer qual a parte mais difícil… Se era enfiar aquele monte de almofadas na região da barriga sem deixa-las escorrer pela calça ou se era pintar de branco as grossas sobrancelhas do Rafa. Ríamos mais que qualquer coisa. Depois, colocamos os presentes nos grandes sacos vermelhos e o sino já podia ser tocado. A deliciosa e eletrizante correria podia começar. Quando a campainha finalmente soou, Pedro sem pestanejar, abriu a porta e deixou a magia do Natal entrar. Enquanto aquele molequinho terno e ansioso se desdobrava em ajudar o velhinho, nós nos dividíamos entre filmar, fotografar e não piscar para que nenhum momento se perdesse no tempo. Pedro ganhou o Buzz, Ana o leitinho e nós uma noite de tanto amor que chorar e rir viraram uma coisa só.

Essas noites quentinhas e emocionantes se prolongaram por quase 8 anos. Elas foram sendo aprimoradas, pois conforme minhas crianças de apartamento iam crescendo, a probabilidade de desvendarem o mistério aumentava. Papai Noel chegou a vir pela rua para ser visto da varanda, usou óculos escuros, luvas, foi maquiado com mais esmero, mas nunca deixou de aparecer. A cada novo ano tornava-se mais e mais doce com a Ana que nunca foi muito fã desse sujeito barbudo. Era um misto de amor e pavor. Pedro logo ganhou o posto de assistente. Abria a porta, levava o cansado senhor para se sentar, ajudava a distribuir os presentes. Ana nunca quis se candidatar. Ela mantinha distância segura, olhos atentos e mãos presas na mamãe. O irmão, depois que descobriu quem estava por trás da roupa vermelha, quis imediatamente contar para ela. Fizemos um trato. Ele guardaria segredo e quando fosse a hora seria o primeiro a contar. Topou de pronto. E a cada novo Natal agia como se fosse o primeiro. Chegamos a duvidar de sua descoberta. Entendemos depois. Ele, como nós, não queria quebrar o encanto.

Ana teve certeza de que o papai era Rafael e não Noel antes de completar 8 anos. No mesmo ano chorou pela Fada do Dente e Coelhinho da Páscoa. A despedida do bom velhinho foi mais doída para mim do que para eles. Quando Ana me fez a fatídica pergunta que Pedro já tinha a resposta e, como prometido foi o portador da mensagem, meus olhos transbordaram de saudade. Saudade da ansiedade infantil, dos corações acelerados, dos olhos arregalados, das mãozinhas trêmulas segurando na minha nuca, dos dedinhos gordos acolhidos entre os meus, do sono profundo ao lado do brinquedo sonhado. Saudade de ver tantos adultos juntos com sorrisos de criança esperando com a mesma ansiedade infantil a porta se abrir para mais uma vez receberem papai Noel. Saudade daqueles que já se foram. Saudade de poder fazer parte desse encanto que deixava as noites de Natal suspensas no tempo e agarradas ao coração. Aquele primeiro Natal sem Noel não passamos na casa dos avós. Viajamos para a ilha mais distante do continente, onde não teve correria para ver o trenó na varanda, nem escutamos o sino no hall do elevador e muito menos tivemos a visita do bom velhinho em sua exuberante roupa vermelha, mas foi tão mágico quanto, pois estávamos juntinhos juntinhos. Já contei essa aventura no post No Umbigo do Mundo. Confere lá!

Este ano, também não amenizaremos o calor da noite quente do Natal carioca na varanda dos avós. Aproveitaremos para conhecer o Uruguai, mas aprendemos uma coisa: onde quer que estejamos, na varanda do vovô, numa ilha remota, num país vizinho ou a caminho de algum lugar desconhecido, o espírito natalino que antes chegava sem cerimônia vestido de roupa vermelha e barba branca jamais deixará de estar presente. Não tem muita explicação para esse tal de espírito natalino. O fato é que a gente fica mais sensível, com vontade de doar mais sorrisos, trocar mais abraços, colocar pitadas de doçura no olhar, falar com amigos antigos, e recentes, apertar a mão de desconhecidos, fazer as pazes, namorar, rir, chorar… Não sei explicar, só sei que é assim.  E é bom demais!

Que o Natal de vocês também seja uma noite de grandes emoções! E que em 2015 a gente continue dividindo aventuras por aqui! Até lá!

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Comentários

  1. REGINA HELENA BRAGA DE MATTOS (TUTA)
    25 de dezembro de 2014 at 11:45 — Responder

    Querida prima!A magia do natal que vivemos em nossa infancia,que passamos com nossas familias,amigos e ourtraspessoas queridas foi muito bom sem duvida.Principalmente quando paramos pra relembrar os deliciosos momentos vividos!!…….Mas quando essa magia depois de algum tempo volta para a familia que constituimos com o amor q nos foi concedido para ter filhos…….essa magia torna-se inexplicavel!!!!!!

    • 4 de janeiro de 2015 at 18:59 — Responder

      Exatamente prima! Inexplicável! Bjs

  2. Nídia Blanco Villela
    27 de dezembro de 2014 at 02:33 — Responder

    1:48h do dia 27 de dezembro de 2014 e, por falta de internet no hotel em que estamos, apenas hoje consegui entrar na página criancasdeapartamento.com. Chamei seu pai para ouvir, certamente, mais um encanto de conto. Àmedida que avançava na leitura, a emoção aumentava, a voz tremia e as lágrimas teimavam em rolar por nossos rostos. Seu pai não conseguiu terminar de ver as fotos. Ao ver as primeiras, com o Pedro pequenino, e depois a Ana, chorava que nem criança, de saudade desse filme que começou a passar em sua cabeça. E que filme lindo! Choramos os dois e agradecemos a Deus por nos fazer felizes através de você, menina linda, do seu não menos lindo irmão e agora de nossos netos queridos. Você tem razão. É Natal. Sentimentos bonitos afloram e não somos diferentes. E o nosso Natal foi lindo, e assim o será, sempre, porque o amor esteve e estará presente em nossos corações. Te amo!

    • 4 de janeiro de 2015 at 18:59 — Responder

      Mãe, vcs viveram cada minutinho de nossos natais. Feliz que tenham gostado. Amo vcs! Bjs

  3. heleno camilo de oliveira
    12 de março de 2015 at 11:44 — Responder

    Bom diaaaa…!…e..aí…!..cá estamos unidos sempre,do Grajaú ate copacabana é um pulo,ligações entre zona norte e zona sul,sempre foi cruel,quando morava em vila isabel,tinha 4 opções,as linhas,433,435,432 e 434 sempre nos serviu,mas por incrível que pareça,basta você mudar de um bairro para outro,como no nosso caso que fomos para o Grajaú,do lado da Tijuca que a coisa já muda de itinerário,ou seja,a única opções é sai daqui e fazer a velha tática do translado,isto no horário de pico é muito chato,sem contar a segunda passagem,para quem tem o tal bilhete único,menos mal,mas para quem não tem é problema,mas não tem problema,amo zona sul,vou de qualquer maneira,só ter o prazer de rever meus amores e amigos sra Nídia e sr-Juvenal já vale o esforço.

  4. heleno camilo de oliveira
    12 de março de 2015 at 11:55 — Responder

    voltando para comentar sobre acreditar em papai NOEL,eu tenho 2 ponto de vista,o primeiro é ter necessidade de acreditar em alguma coisa,se encaminhar o assunto por este lado daria muito pano pra manga…kkk..o outro ponto de vista seria aceitar o que o sistema impõe,para o vendedor de lojas quanto mais acreditarmos melhor para ele e o dono da loja,dai vamos caminhando entre o certo e o errado,isto a longo prazo se chama de vida,e assim caminha a humanidade.

    • 15 de março de 2015 at 01:51 — Responder

      Claro Heleno. Vamos caminhando, vivendo e acreditando. Bjs

  5. 15 de março de 2015 at 12:48 — Responder

    Sabe, amigo Heleno, eu acreditei em Papai Noel até grandinha, e fiquei muito triste quando descobri que eram meus pais. Fiquei triste porque os presentes que eu julgava caros, para que meus pais não gastassem, eu pedia para o Papai Noel. Não que eu quisesse explorar o bom velhinho, mas sim, que a vida dele era essa, dar presentes para as crianças, e ele pegava esses brinquedos, sei lá de onde, provavelmente de uma fábrica dele, e não pagava. Assim, ninguém saia perdendo. É a magia do Natal!

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